segunda-feira, 29 de setembro de 2014

   Está tudo muito complicado, insônia, calor e pernilongos. Sem mencionar o verdadeiro caos pré-eleitoral.
   Então eu fico aqui me abanando, me coçando e tentando entender o caso Mark Ruffalo. Sim, Mark Ruffalo, senhores. Pois quando se trata da campanha estabanada de Marina Silva, eu nem devia mais me surpreender com coisa alguma, nem mesmo com a sensacional entrada em cena de Mark Ruffalo e toda sua relevância política para o resultado das eleições brasileiras.
   Sabe-se lá como ou por quais razões*, o Hulk do cinema, esse ícone cultural de extrema importância, achou pertinente expressar seu apoio à candidata da floresta. Da floresta cenográfica, pode-se questionar,  já que Dona Marina "parece" ter se mancomunado com madeireiros e afins. "Parece" ter se mancomunado, pois no caso de Dona Marina tudo parece ser aparência, a candidata sobrevive de alimentar dúvidas, nunca esclarecendo suas reais intenções e desdizendo hoje o que disse ainda ontem na tentativa de agradar ao mesmo tempo aos neo hippies de Ipanema e aos homofóbicos evengélicos mais radicais, aos socialistas paz & amor e aos liberais mais desalmados, sem esquecer daqueles que se situam no meio, entre a cruz e a fogueira.
   Eu já não entendo Neca (Setúbal) de Pitibiriba.
   Pois Mr. Ruffalo veio publicamente declarar seu apoio entusiasmado à candidata esverdeada. Apenas para em seguida, num comportamento muito similar ao dela, retirar tão importante apoio, ao ser informado das posições tão pouco modernas da mesma em relação aos direitos gays.
   Dona Marina prontamente reagiu, através de sua equipe, informando ao engajado herói dos cinemas que tudo isso não passa de deslavada leviandade, que ela é vítima de uma campanha eleitoral inundada de mentiras, sempre apoiou o casamento(civil) gay e é uma histórica e feroz defensora dos direitos humanos. O moço Hulk, já com suas ilusões enfraquecidas, exigiu uma cópia do programa de governo da candidata, em ingles(thank you very much), para melhor compreender as minúcias da política tropical.
   Enquanto eu, outro ingênuo de matinée, continuo tonto. Senão vejamos: Dona Marina evitava o assunto criminalização da homofobia como verdadeira praga de gafanhotos egípcios até o profeta Malafaia sacudir furioso seus pergaminhos e bíblias e a ameaçar com o fogo eterno da derrota nas urnas, quando ela prontamente desdisse o que não havia dito e pagou o devido dízimo político. Agora, sob o incitamento do poderoso Hulk, praticamente se declara fundadora de parada gay.
  No meu altar pansexual afro brasileiro, Dona Marina e Seu Ruffalo, as únicas celebridades engajadas que dão pitaco chamam-se Vanessa Redgrave e Susan Sarandon.

* Fui dar uma olhada melhor nos fatos e aprendi que Mark Hulk estrelou Ensaio sobre a cegueira, filme do Fernando Meirelles, consultor informal da campanha de Marina Silva e crítico furioso do PT.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diga lá, gente fina.