quinta-feira, 9 de outubro de 2014

   Eu gostaria de não estar escrevendo isso aqui. Mas não tem jeito, não vou segurar a onda esquizoeleitoral. São os meus nervos, minha gente, são os meus medos. Essa histeria toda anda pior que o avanço do Ebola.
     Ora, então estamos todos pasmos? Nós, as pessoas do bem, os justos e os bons?
     Esse gosto desagradável na boca, essa ressaca sem se ter bebido gota, esse ódio furibundo, esses ares de inocência ultrajada.
    Essas flores fedorentas todas foram plantadas naquela "primavera de junho", pelos fofoletes da revolução, pelos Black Blocks(como andam sumidos, não?), pelos mascarados do Anonymous, os adolescents bem nutridos e inocentes que invadiram as ruas contra "tudo isso que está aí". Pelos senhores e senhoras de meia idade e sem causa da qual se orgulhar.
   Alguns, mais sensatos, tentaram avisar. Foi um exercício desesperador e vão. Eu mesmo fiquei rouco de tanto tentar, pra ser vilipendiado pelos ultrajados em transe semi religioso. Nós, os impotentes, assistimos acuados à gestação da besta, ao crescimento do ovo da serpente. Aquela multidão sem cara ou nome, sem direção ou proposta, sob o pretexto de um vago ultraje e sob o sonho romântico anarquista era cega e surda, embora não fosse muda. É assim que se geram as piores monstruosidades.
   Idiotas xingavam os discordantes, imbecis mataram um cinegrafista sem sequer querer ou saber por que razão.
   Depois, vieram os justiceiros das vizinhanças abonadas que amarravam supostos criminosos aos postes, vociferavam contra gays(quando não os espancavam ou matavam), se horrorizavam com a audácia de pretos e pobres quererem se divertir em Shopping Center, que subitamente decidiram não querer mais Copa.
   Agora, ninguém admite que foi pública e vergonhosamente usado, perversamente manipulado. Que se vestiu de verde e amarelo e gritou patriotadas vazias por ruas cheias. E que serviu em uma tentativa vergonhosa de desestabilizar o processo democrático.
   E, em tempos eleitorais, os liberais hippies das Ipanemas e similares, com suas boas intenções e suas vidas confortáveis, acharam uma boa idéia empatar o jogo, brincar de ser superior sensato. Marina virou a sensação du jour, Lucianas e Eduardos pareciam sob medida para os que não queriam "sujar" as mãos. Sem falar nos profetas ridículos e babões com sua retórica homofóbica e misoginista fora de época.
    Pois cá estamos nós, senhoras e senhores, à beira do abismo. E ninguém tem culpa. Um país de inocentes.
     Se não suportávamos mais isso tudo que tá aí, que aprendamos a conviver com tudo o que ainda virá. Se vier. 

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