Eu não preciso declarar meu voto, não é mesmo? Eu sou pela justiça social e não durmo com o inimigo, mesmo que ele se vista com os melhores ternos e tenha a pele permanentemente bronzeada de garoto do Leblon. E todo esse blá blá blá machista e retrógado comigo não cola, já ralei o suficiente na vida pra aprender a não dar tiro no pé.
E não paro de falar de política, das eleições, virei um chato. Talvez por ter ido embora do Brasil na década de 90, quando a barra era pesadíssima e sobreviver quase impossível, por ter perdido todas as eleições desde então e estar recém chegado do Reino Encantado da Elizabeth II, também conhecida como Fraulein Saxe-Coburgo-Gota, onde o liberalismo venceu faz tempo e os privilégios de classe imperam. Ou por uma vaga culpa por ter abandonado o barco naufragando, não sei.
Me chamem de petralha se quiserem, já fui chamado de coisas piores e sobrevivi.
Eu nasci, vivi e vivo como homem pobre, sou da turma dos desvalidos, dos que tem fome, dos negros, bichas, travestis. Não há discurso belo nem miragens mirabolantes, não há caravana anti corrupção seletiva ou sorrisinhos paternalistas e cínicos que me façam jogar no lixo direitos duramente conquistados ou cuspir na cara dos meus irmãos de infortúnio.
Eu brinco com o meu cachorro vira-lata antes de dormir. E durmo o sonos dos justos.
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