Hoje eu assisti o debate na Bandeirantes. E perdi o sono. Triste com o cinismo, a empáfia e a crueldade dos poderosos. Dos sinhozinhos do Brasil, eternamente nostálgicos da senzala.
Mas não há carrascos sem vítimas. E oprimidos podem ser tão perversos quanto seus próprios opressores, algumas vezes com requintes ainda mais cruéis. Garras longas e dentes afiados. E esse parece ser dos resultados mais destruidores da opressão.
Há pessoas que sofreram abusos, preconceitos, injustiças sociais incontáveis e ainda assim são racistas, homofóbicas, misóginas. Gente que passou fome e foi humilhada a vida inteira, que sofreu na pele a desumanização pelo deformado e injusto apartheid social à brasileira e mesmo assim nutre um doentio desprezo por pobres e pretos. Que odeia o PT, o Lula e a Dilma pelos motivos errados, que votou no Collor naqueles tempos tristes.
Eu já ouvi a boca de sobreviventes dessas injustiças se referir à crianças negras como "macaquinhos", aos pobres como gentalha, dizer que "viado" merece levar porrada. Sem entender que está perpetuando a perversão de que já foi vítima.
Eu morro de vergonha, de constrangimento, de desolação. Especialmente quando sei que não estou falando de estranhos, do vizinho da rua ao lado, da conhecida da avó. As trevas moram perto de mim.
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