Algumas pessoas ficam surpresas e pasmas que eu tenha trocado London Town por Santo Antônio dos Mistérios. Como se eu fosse um daqueles anjos ingratos e traidores da bíblia, que deixaram o paraíso, arrumaram as malas e se mudaram para as profundezas do inferno.
O paraíso, meu povo, apesar de todos os confortos, do fundo musical de suaves harpas tocadas por mãos delicadas e habilidosas e da fofura das nuvens de algodão doce, também pode ser infernal.
Os meus motivos são muitos e variados. Falência, solidão e cansaço são apenas pontas de um enorme iceberg.
E não faz diferença se é Niterói ou San Francisco, Estocolmo ou Caruaru, eu moro em mim. Nos tempos atuais o mundo é uma aldeia. O isolamento é opcional.
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