Eu passei os últimos anos resmungando contra o frio e os céus cor de chumbo do Reino da Lilibeth. Aquilo estava me arruinando. Ir para o trabalho todo dia sob aquela chuvinha chata, aqueles ventos uivantes e aquele frio do caralho quase me enlouquecia. De raiva, tristeza e desgosto.
Claro que os meus casacos, cachecóis e luvas me davam o consolo de sofrer com algum estilo. E por minha causa, a indústria farmacêutica aumentou a produção de vitamina D e antidepressivos.
E ainda vou instalar um altar em casa, em um gesto de gratidão eterna para com a Marron, cujos sambas me aqueciam as orelhas congeladas nos piores dias, aquela voz de veludo saíndo lânguida do headphone enquanto eu caminhava trêmulo e encolhido pelas calçadas escorregadias da frozen London Town, sonhando com coqueiros, papagaios e caipirinhas. Só ainda não o fiz porque é quase impossível achar imagens dessa entidade maranhense nas boas casas de umbanda.
E devo confessar que tenho prazeres sádicos lendo nos jornais de lá as notícias horripilantes da tal Weather Bomb.
Dito isso, por aqui anda fazendo um calor da porra. Nem mesmo a refrescante Kate Bush tem adiantado. O headphone frita as cartilagens da orelha em torresmos crocantes.
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