É depois do carnaval aqui em Santo Antônio dos Mistérios. E nada mudou. O mesmo silêncio e o mesmo vazio de antes nas ruas da cidade, se o vizinho não abre as portas do carro estacionado embaixo da minha janela e liga o som me forçando ouvir os piores absurdos.
Eu ando pelas ruas e as pessoas me olham como se eu tivesse acabado de aterrar na pracinha do coreto. E eu gosto assim. Leonino. Mas tenho um certo medo das pessoas, assim como elas têm de mim. Brincamos, jogamos esse jogo, atração e repulsa. Alguma hora alguém rompe a bolha protetora. Pode ser muito bom, muito ruim. Enquanto isso esperamos fingindo indiferença. Eu preciso de raízes, eles desejam antenas. Alguém vai ter que ceder. E vou ser eu. Por enquanto eu me divirto com o jogo. E crio coragem para me submeter e tomo cuidados para nunca perder as qualidades de estrangeiro. Novela das oito, romance, sexo. Acharemos um jeito, um modo, um ritmo para dançar.
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