quinta-feira, 12 de março de 2015

   Hoje eu acordei pensando na morte.
  Eu penso na morte com muita frequência, diariamente, várias vezes durante o dia. Não tenho medo dela, só não gosto da ideia de morrer. Gostaria de ter uma vida longa, viver séculos, saltitante e faceiro, e depois morrer feito um passarinho. Acontece que eu sei perfeitamente das minhas mínimas chances nessa loteria, não ganho nem frango em bingos de quermesse. Além do mais, a vida é um saco, uma sucessão de sofrimentos. A natureza que se ocupe com os detalhes do meu fim, inútil tentar interferir.
   Mas, diferente do Fernando Pessoa, eu tenho "preferências para quando não puder mais ter preferências."
   Não quero velório ou qualquer tipo de cerimônia religiosa, quero deixar o mundo dos vivos discreta e dignamente sem velas ou choro, não preciso de caixão, não me enterrem. Sou daqueles que gostam do fogo. Joguem minhas cinzas perto do mar.
   E me esqueçam aos poucos, quase sem notar, como sempre acontece, como deve ser.

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